Antes eu bem te sentia: sopro de brisa ou vendaval. Sentia e ouvia o teu zunir, mas não te enxergava. Hoje vejo esse tropel de cores no catavento em que te prendi, fazendo coro à bagunça que deixastes nos meus cabelos, na minha cabeça, em mim.
Brincas ainda de derrubar latas, levantar saias, arrancar telhados.
Furacão.
Mas, porque te vejo, és minha: ventania.
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sábado, 14 de setembro de 2013
segunda-feira, 6 de maio de 2013
paisagem
um mar
sem rio que lhe desaguasse
areia.
Grãos
de areia;
tantos
e únicos grãos de areia
imperceptivelmente
diferentes entre si,
cada um
dos grãos se move
movem-se
discretos numa
ONDA-MASSA
sem cor.
Grãos
de areia, são.
São
areia.
Um
punhado em mãos, é, ainda, o todo, Areia.
Centelha
Faísca
Belisco
ardido do sol.
O
Astro-rei grita no azulzíssimo céu e
se
languifaz... lambidas... labaredas escorrem aos litros desde as paredes mais
longínquas do deserto.
Aproximam-se.
Demoram-se.
Enamoram-se.
Adormecem
em cada pedaço de chão.
Menina
de boca gigante.
A tudo
devora e não enxerga
:
são
apenas grãos.
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
Melancholia
Eram freqüentes os dias em que, estando quietos na cama, eu suspirava e dizia: "É tão difícil, né?". Em cada uma das vezes, ele perguntava: "O que?"
Decerto não percebia que eu já tinha aquela frase como uma interjeição; escutava-me sem ouvir. Também é possível que indagasse esperançoso de que a resposta mudasse algum dia.
Contudo, sempre respondi a mesma coisa: "Viver."
Dito isso, eu o abraçava forte ou beijava-lhe o rosto de leve e pensava (apenas pensava): "Ainda bem que tenho você pra viver comigo!".
Talvez ele não quisesse morrer comigo.
Decerto não percebia que eu já tinha aquela frase como uma interjeição; escutava-me sem ouvir. Também é possível que indagasse esperançoso de que a resposta mudasse algum dia.
Contudo, sempre respondi a mesma coisa: "Viver."
Dito isso, eu o abraçava forte ou beijava-lhe o rosto de leve e pensava (apenas pensava): "Ainda bem que tenho você pra viver comigo!".
Talvez ele não quisesse morrer comigo.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Presumia-se um eterno na desordem do "eu te amo"
que se confundia à desordem dos armários,
então, é natural que sempre fique alguma coisa
que se deixe algo para trás
trouxe um coração, partido, que te pertencia
que se confundia à desordem dos armários,
então, é natural que sempre fique alguma coisa
que se deixe algo para trás
trouxe um coração, partido, que te pertencia
as mágoas que ninguém queria
mas deixei um vazio que se preenche com as coisas do dia-a-dia
vez ou outra, te peço o esquecido
aquela parte deixada, na pressa da despedida
só o que não esqueço, é o pra sempre perdido...
sábado, 3 de novembro de 2012
Samba do não querer
É... acabou, amor
Não tem mais volta, não...
Não, não acabou o amor
Mas também não sobrou alegria
A vontade de fazer folia
adormeceu na última estação...
Não te quero mal
mas não te desejo a felicidade
pois fere a minha vaidade
te ver feliz sem mim
Não tem mais volta, não...
Não, não acabou o amor
Mas também não sobrou alegria
A vontade de fazer folia
adormeceu na última estação...
Não te quero mal
mas não te desejo a felicidade
pois fere a minha vaidade
te ver feliz sem mim
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Postelunar
Avistar a lua, quando a lua estiver
Entender o poste, se um poste houver
A cada coisa seu peso e medida
Nem mais, nem menos
E a nenhuma pessoa, o amar desmedido
Tudo contido, marcado, pesado
Tudo pesado, quando a lágrima contida
O riso contido, se a carne marcada
Nenhuma métrica para a despedida
Que a lua é a esperança do que era poste
E o poste, a lembrança do que não foi lua
Deitar poemas ao vento, à madrugada morna
Se dorme na calçada de alguma, qualquer uma, rua
E a nenhum amor, os versos sonhados
Não sejam de ninguém e que ninguém os ouça
Que o resto de fel, escorrendo à boca,
ensurdeça, emudeça, enfraqueça
a língua amor - e que ela morra, sem mais nem menos.
domingo, 16 de setembro de 2012
...
mente, o passarinho
cantando que bem me viu
num dia tão clarinho
comecinho de estação
da água que chovia, passarinho não diz, não
cantando que bem me viu
num dia tão clarinho
comecinho de estação
da água que chovia, passarinho não diz, não
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Deixa
estão trêmulas, as mãozinhas em prece;
esperam passar - e ficar - o amor...
tão apertadinhas as mãos quanto o coração
ao sentir que outro par os toca e penetra
(sem nada deixar)
com quem estará o anel?
deixa!
há de quebrar...
sábado, 4 de agosto de 2012
Ninguém vai entender isso: esse foi o ano mais feliz da minha vida. A compreensão é mesmo difícil de ser alcançada "Quem não vê bem uma palavra, não pode ver bem uma alma"... e quando não entendemos a palavra que sai de nossa própria boca, distorcida, turva, má? Ninguém vai entender isso. Mas haverá sempre o amor e seus derivados, raiva, medo, culpa, frio. O amor e seus derivados, aconchego, carinho, abraço, um nadinha que faz feliz. Não há compreensão possível, talvez aceitação. Mas amei todos, sem exceção, neste ano mais feliz da minha vida.
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Em São Paulo
final de tarde
garoa cai
a luz se esvai
o peito arde
vontade te ver
mais perto, esquecer
o errado e o certo
ser toda deserto
entregue ao sol
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
...
os laços desfeitos
são nós no peito
de quem ama
pensamentos que nos consomem
até mesmo à cama
cingem a alma ao corpo
e fazem-nos mais sós
pobres de nós
amantes desamados
fadados ao esquecimento
atados a algum momento
que desde já era senão
futuras lembranças
a certeira distância
pobres, perdidos
soltos na linha do tempo
são nós no peito
de quem ama
pensamentos que nos consomem
até mesmo à cama
cingem a alma ao corpo
e fazem-nos mais sós
pobres de nós
amantes desamados
fadados ao esquecimento
atados a algum momento
que desde já era senão
futuras lembranças
a certeira distância
pobres, perdidos
soltos na linha do tempo
terça-feira, 13 de setembro de 2011
...
o meu amor é feito de urgências urgentíssimas!
pressa de te ver me vendo ao teu lado mais um dia;
pressa de nunca acabar as noites de adormecer contigo;
pressa de amar à exaustão e jamais me cansar de te amar e te amar e te amar e te amar e te amar
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Chuva
vem, chuva
pra me molhar
lava minha alma
leva minhas mágoas
vem despertar
a semente guardada
a telha calada
o desejo de amar
rega meu corpo
o ar quente e seco
a planta no vaso
querendo brotar
vem
desagua nestas terras
vem
me enlamear
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Jogo da memória
Perdi o rumo
o prumo
o jogo
por ter encontrado
imagens que você não esquece, não
Do que adianta ocultar dos olhos o que não sai do coração?
Vontade me desprender da vida
da rima
do sonho
pra ver se me encontro,
só pra me ver, talvez mais perto de você
o prumo
o jogo
por ter encontrado
imagens que você não esquece, não
Do que adianta ocultar dos olhos o que não sai do coração?
Vontade me desprender da vida
da rima
do sonho
pra ver se me encontro,
só pra me ver, talvez mais perto de você
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
...
Para o meu irmão de canto,
Murillo Marques
Uma manhã é feita de muitos fios, de muitos cantos. A tarde tem seus encantos, mas é no quando nasce o dia que mora a real poesia. A noite é boemia; dos ébrios, a ilusão. Mas há que ser bem poeta quem de manhã desperta em busca de ganhar o pão e desde já lança o canto que ilumine e teça a rede que nos liberte da opressão.
sexta-feira, 10 de junho de 2011
A mesma estação
Dá-me calor, frio, flores e vendavais;
vem e te recebo: hoje ou nunca mais
Sempre, porém, do mesmo modo
Como retornam as estações, e se vão
A próxima parada, a vinda
o ah! Deus! e a chegada...
O nunca acaba e o jamais tem fim?
quinta-feira, 12 de maio de 2011
das carpideiras
ninguém para chorar amor tão pequeno
morto pelo próprio veneno
de não saber amar
morto pelo próprio veneno
de não saber amar
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segunda-feira, 25 de abril de 2011
Cozinha II
Sempre faltam ingredientes para o algo chamado Vida
E nunca se tem receita certa para o algo chamado Amor.
E nunca se tem receita certa para o algo chamado Amor.
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