um dois três... cigarros
nunca aprendi a tragar
mas sorvi cada um deles
- teu prazer secreto -
como se teu sexo fossem
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Algumas vezes, pessoas lançam ao mar pedidos de socorro em garrafas; outras vezes, os lançam por sob as portas e os fazem penetrar as casas e as vidas. Não importa em que língua falem, a quem queiram falar, ou o quê; são sempre os mesmos pedidos de socorro.Fui teu puzzle de 1000 peças.
Jogo de monta e des-monta; esquecido e incompleto,
neste agora em que cansaste
de brincar.
Sei que não poderia escrever isso aqui neste blog. Desculpe-me querida Arlequinal, mas palavras me somem da ponta da pena e não há nada que eu possa fazer a não ser refletir o bloco de pedra que se entalou em minha garganta, e a dúvida que me assola, nas palavras do mais célebre personagem Shakespeariano.As manhãs acordam tarde
Já não há como sorrir
E segue o canto triste:
“Estou tão feliz”.
Se fora ontem,
Quem sabe?
Quem sabe não teria
compactuado da felicidade
pura e simples do coração
que se mostra aos olhos meus?
Mas não hoje...
Não neste momento,
Nestas dez horas em que levanto
Querendo estar em coma.
Não nesta tardia manhã que segue uma noite
de mal caídas
lágrimas
(luciféricas? malditas? dementes? lúcidas?)
Não... Não sou capaz de me unir
ao coração puro e simples,
que a noite e o dia já não me bastam!
Busco o limbo, o lugar dos não-sentidos,
dos não-sentimentos, da não-vida e da não-morte...
Só quero negar se puder neutralizar todos os valores:
O dramático, o épico, o lírico
Já não me convencem mais
A realidade (se há) tampouco.
Não resta em mim
nenhum dos humores...
Se não me é de posse o ódio,
Também o amor abandonei/desde o princípio
“Pássaro de asas tortas,Não sou Deus. E estou tão feliz!
(dos amigos, de Carlos, de Vinicius,
de quem mais? Não me lembro agora...)
Queria dominar teu canto zombador,
Marcar tuas dádivas inexclusivas
Com números profetizados,
Lançar-te ao lago de fogo.”
29 de Dezembro de 2006

"Junto a ti esquecerei..."
(João Cabral de Melo Neto)
I
Junto a ti esquecerei as inúmeras partidas
- as cordas e as amarras nunca se quebraram
e talvez por isso eu permanecerei imóvel sob a tua influência...
Tu pesarás para mim como produto de âncoras
como a pedra amarrada do pescoço do pecador.
Os portos passarão a ser beira de cais
as terras longínquas nada mais me dizem
- quebrei a bússola para evitar a tentação.
Tua presença é poderosa como urros na floresta.
Sinto que extingues em mim
a sombra dos navegadores.
II
A tua atitude te eleva para o alto.
Vejo que cortaste definitivamente todas as amarras.
Daqui eu adivinho os olhos dos homens
perdidos no tempo que nada descobrirão de ti.
Deixa que os não-poetas falem de tua beleza,
esses nunca compreenderão o que há em ti de sombras
de sementes germinando, de vozes de cavernas.
Nem ao menos que é o teu olhar que nos aproxima
que nos torna irmãos para o resto do tempo.
Eu te reconheceria entre todas, porque tua presença eu a pressinto.
Deixa que tuas formas eles a tomem pela essência.
Esses te perderão ainda mais
e nunca compreenderão tuas inúmeras sugestões
que tu mesma desconheces.
III
Esquecerei os teus convites de fuga.
As coisas presentes serão absolutamente insignificantes.
Sentir-me-ei em tua presença como o primeiro homem
que se ia apoderando de todas as formas conhecidas.
IV
Esquecerei todos os convites de fuga.
Os portos serão para nós apenas
as âncoras e as amarras.
Nossos olhos não mais distinguirão
caravelas e transtlânticos sobre o mar.
Nossos ouvidos não mais perceberão
o barulho das ondas que são um chamamento constante.
Então leremos poetas bucólicos
debaixo de uma árvore que deverá ser frondosa.
Indefinidamente rodaremos em torno dela como num carrossel
indefinidamente estarás comigo.
1937
O tempo da espera também me faz viver. Contar nos anéis cada segundo; saber que entre os dias há o instante em que silenciam os males. Eu queria levar meus pés aos campos onde caminha seu corpo; nos espaços em que, graves, acenam seus gestos. Porém, sei que isso não faria de mim, sua companheira; não seria pra você, aquela que sou. Decerto, sabíamos quem éramos, por isso existiu o amor. Quisera eu fosse o corpo e o rosto em que pudesse repousar sua face ao fim do dia, dos tantos dias que parecem não ter mais fim. Entretanto, sabemos, isso não faria de mim melhor amante — e não aprendi de todo, confesso, como ser a amante esperada. Espero, apenas. Brincando com a areia da praia, juntando esses peixinhos que pontuam minha vida — espero. Que há sempre neblina em meus olhos; e não tem sido também a névoa a nos fazer próximos? Ouvir o mar e seus ruídos é quanto basta para que permaneçam o nome e o amor. Eu quero tanto, tanto... e tanto querer já está contido em meu silêncio. O mesmo silêncio que sustenta minha espera pelo impossível, pela luz nascendo de sua boca e adormecendo estes cortes, estas inquietações.
| Sol: | 16 Leão 23 | Ascendente: | 19 Câncer 10 |
| Lua: | 1 Câncer 23 | 2a. casa: | 24 Leão 42 |
| Mercúrio: | 9 Leão 17 | 3a. casa: | 1 Libra 04 |
| Vênus: | 29 Leão 52 | Fundo do Céu: | 3 Escorpião 08 |
| Marte: | 1 Gêmeos 21 | 5a. casa: | 0 Sagitário 02 |
| Júpiter: | 9 Sagitário 56 | 6a. casa: | 24 Sagitário 14 |
| Saturno: | 26 Leão 55 | Descendente: | 19 Capricórnio 10 |
| Urano: | 17 Peixes 53 | 8a. casa: | 24 Aquário 42 |
| Netuno: | 20 Aquário 45 | 9a. casa: | 1 Áries 04 |
| Plutão: | 26 Sagitário 31 | Meio do Céu: | 3 Touro 08 |
| 11a. casa: | 0 Gêmeos 02 | ||
| 12a. casa: | 24 Gêmeos 14 |
Nunca gostei que me olhassem fundo nos olhos. Meus olhos significam mais do que as milenares palavras de um dicionário.
Visto a máscara e corro todos os bailes, mas eles não sabem. Eles não sabem que suas vozes e suor permanecem nas estampas que lhes envolviam os corpos, mesmo neste instante em que os namorados se fizeram conhecer e os risos recolheram-se no sono da embriaguez.
Gustav Klimt - The Sunflower
Gosto de chorar os meus mortos e já não sei se meu murmúrio atrai estes fantasmas.
Mereces um amor de lascívia e poesia!
Eu sei fazer caixinhas. Nelas, escondo toda sorte de matérias. São miçangas, fitas, pedrinhas coloridas, agulhas e alfinetes, moedas sem valor, fotos e cartas, peças de antigos jogos de tabuleiro. Minhas caixinhas não são como a de Pandora. Não contêm quaisquer males. São inofensivas e, talvez, inúteis. Minto. Há dias em que algumas pulsam rancorosas; e sinto medo.
(arte de Flor Garduño)
Era uma casa completa. Tinha os móveis, os retratos, um jogo de sofá e televisão.Na cozinha tinha panelas, panos de prato, cristais e geladeira. No quarto cama, guarda roupa, tapete persa e cortinas. No banheiro tapetinho, escovinhas para os dentes, papel higiênico, escovinhas para os cabelos, toalhas e sabonetes. Felicidade.