Malmequer
Bem-me-quer
Bem me queres
Bem te quero
E que mal há em tanto querer?
Te faço versos
Te faço beijos
Te faço
eram injúrias de amor
quinta-feira, 2 de outubro de 2025
terça-feira, 24 de junho de 2025
domingo, 5 de março de 2023
Clima
No alpendre da casa caiadinha, olham pra além do terreiro e do cercado. A mulher pragueja a geada que matou o pasto da criação. Coisa do dianho, deveras! O homem resigna-se a consolar a esposa: tende fé! Que Deus é bom, mas o Diabo também não é má pessoa.
domingo, 16 de maio de 2021
a palavra pequenina que fala ao coração e ressoa no eu sou...
hoje, sim.
hoje, sim.
hoje, sim.
do barro que jorra do peito em prolixismos intermináveis, vem a força que me prende ao chão.
eu sou.
eu sou.
eu sou.
a linguagem dos sórdidos, dos santos e dos sãos. adoecidos os fazeres, os pensares e olhares, a telúrica e infinda roda dos miseráveis.
nunca mais.
nunca mais.
nunca mais.
são os dias dos homens mais frios, estagnantes, indistinguíveis entre os horrores ensaiados da epopeia
celestial.
esta guerra que não escolhi.
esta guerra da qual não posso fugir.
esta guerra em mim e nos outros.
porque somos o que somos e, por enquanto, um.
nenhuma luz, neste etéreo.
apenas o leve incômodo. o nenhum amor. o peso de quem, tão cedo, não voltará.
quantas vezes sim?
quantas vezes em mim?
melancolia é doce fino em uma tarde de café.
sábado, 15 de setembro de 2018
Ideal
corre em gatarias
pula . garras afiadas
remanso no olhar
* tanto tempo sem escrever; meu primeiro haikai.
sábado, 14 de setembro de 2013
CATAVENTO
Antes eu bem te sentia: sopro de brisa ou vendaval. Sentia e ouvia o teu zunir, mas não te enxergava. Hoje vejo esse tropel de cores no catavento em que te prendi, fazendo coro à bagunça que deixastes nos meus cabelos, na minha cabeça, em mim.
Brincas ainda de derrubar latas, levantar saias, arrancar telhados.
Furacão.
Mas, porque te vejo, és minha: ventania.
Brincas ainda de derrubar latas, levantar saias, arrancar telhados.
Furacão.
Mas, porque te vejo, és minha: ventania.
segunda-feira, 6 de maio de 2013
paisagem
um mar
sem rio que lhe desaguasse
areia.
Grãos
de areia;
tantos
e únicos grãos de areia
imperceptivelmente
diferentes entre si,
cada um
dos grãos se move
movem-se
discretos numa
ONDA-MASSA
sem cor.
Grãos
de areia, são.
São
areia.
Um
punhado em mãos, é, ainda, o todo, Areia.
Centelha
Faísca
Belisco
ardido do sol.
O
Astro-rei grita no azulzíssimo céu e
se
languifaz... lambidas... labaredas escorrem aos litros desde as paredes mais
longínquas do deserto.
Aproximam-se.
Demoram-se.
Enamoram-se.
Adormecem
em cada pedaço de chão.
Menina
de boca gigante.
A tudo
devora e não enxerga
:
são
apenas grãos.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
MELAGKHOLIA
me.lan.co.lia. sf. Estado de humor caracterizado por uma tristeza vaga e persistente.
BILHETE
Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...
(Mário Quintana)
Baixinho, baixinho assim eu não te ouço, nem o teu gemido e nem o teu sussurro. Baixinho, baixinho assim eu não percebo nem o teu pavio curto e nem o teu carinho. Baixinho fica dificil de ouvir teu elogio, se me tem febre, se me tem saudade, se me tem orgulho. Baixinho que nem segredo e escondido assim, parece ilusão de festa, parece que termina quando o dia nasce. Deixa eu puxar seu ouvido para o canto e confidenciar esse desastre que é o meu coração, dizer que aqui dentro pareço uma menininha insegura que tem medo de ter aberto uma frestinha pra você entrar. Apesar de ser assim uma mulher forte e confiante, que samba no meio da roda, que chama pra sair, que deita sem pensar, que chora ao mesmo tempo que ri.
Ainda assim toma conta, cuidadinho, com esse instrumento de trabalho, com esse ganha pão, sem ele não tem vida pra amanhã, ou sorriso e nem espera, sem ele pode faltar luz e a vela, eu decidi não trazer desta vez, arrisquei, abri a janela. Baixinho assim parece silêncio e com esse deus eu já briguei, discuti, esperneei.
Silêncio para que me ame bem alto, entre buzinas, fanfarras e passarinhos.
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
Melancholia
Eram freqüentes os dias em que, estando quietos na cama, eu suspirava e dizia: "É tão difícil, né?". Em cada uma das vezes, ele perguntava: "O quê?"
Decerto não percebia que eu já tinha aquela frase como uma interjeição; escutava-me sem ouvir. Também é possível que indagasse esperançoso de que a resposta mudasse algum dia.
Contudo, sempre respondi a mesma coisa: "Viver."
Dito isso, eu o abraçava forte ou beijava-lhe o rosto de leve e pensava (apenas pensava): "Ainda bem que tenho você pra viver comigo!".
Talvez ele não quisesse morrer comigo.
Decerto não percebia que eu já tinha aquela frase como uma interjeição; escutava-me sem ouvir. Também é possível que indagasse esperançoso de que a resposta mudasse algum dia.
Contudo, sempre respondi a mesma coisa: "Viver."
Dito isso, eu o abraçava forte ou beijava-lhe o rosto de leve e pensava (apenas pensava): "Ainda bem que tenho você pra viver comigo!".
Talvez ele não quisesse morrer comigo.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Presumia-se um eterno na desordem do "eu te amo"
que se confundia à desordem dos armários,
então, é natural que sempre fique alguma coisa
que se deixe algo para trás
trouxe um coração, partido, que te pertencia
que se confundia à desordem dos armários,
então, é natural que sempre fique alguma coisa
que se deixe algo para trás
trouxe um coração, partido, que te pertencia
as mágoas que ninguém queria
mas deixei um vazio que se preenche com as coisas do dia-a-dia
vez ou outra, te peço o esquecido
aquela parte deixada, na pressa da despedida
só o que não esqueço, é o pra sempre perdido...
sábado, 3 de novembro de 2012
Samba do não querer
É... acabou, amor
Não tem mais volta, não...
Não, não acabou o amor
Mas também não sobrou alegria
A vontade de fazer folia
adormeceu na última estação...
Não te quero mal
mas não te desejo a felicidade
pois fere a minha vaidade
te ver feliz sem mim
Não tem mais volta, não...
Não, não acabou o amor
Mas também não sobrou alegria
A vontade de fazer folia
adormeceu na última estação...
Não te quero mal
mas não te desejo a felicidade
pois fere a minha vaidade
te ver feliz sem mim
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Postelunar
Avistar a lua, quando a lua estiver
Entender o poste, se um poste houver
A cada coisa seu peso e medida
Nem mais, nem menos
E a nenhuma pessoa, o amar desmedido
Tudo contido, marcado, pesado
Tudo pesado, quando a lágrima contida
O riso contido, se a carne marcada
Nenhuma métrica para a despedida
Que a lua é a esperança do que era poste
E o poste, a lembrança do que não foi lua
Deitar poemas ao vento, à madrugada morna
Se dorme na calçada de alguma, qualquer uma, rua
E a nenhum amor, os versos sonhados
Não sejam de ninguém e que ninguém os ouça
Que o resto de fel, escorrendo à boca,
ensurdeça, emudeça, enfraqueça
a língua amor - e que ela morra, sem mais nem menos.
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Ciclo sentimental em fragmentos
INV[f]ERNO
1- Falar sobre o que?
2- Precisamos deixar claro sobre o que estamos falando.
1- Estamos falando de dilaceramento, de aprisionamento, de auto complacência.
2- Sem auto piedade, por favor!
1- Um dialogo entre o dramático e o épico. A cisão entre as químicas do corpo, o nosso desejo e as nossas demências.
2- E o amor?
1- Amor, desejo, doença entre corpos.
2- Doença.
1- Demência.
2- Esse espaço vazio transformado num corpo. As mãos que riscam essas linhas são as mesmas que tocaram, transaram, gozaram...
1- Estes pés que guiam a direção deste desenho são os mesmos que guiaram ele até a porta da casa do sujeito.
2- Essa cabeça, essa demência que planejou esse desenho é a mesma cabeça que cadencia a obcessão de um pensamento que o aprisiona num outro que já não existe mais.
1- Esse é o corpo que fodeu!
2- Fodeu!
1- Fodeu!
Juntos FO-DEU!
1- Agora chegamos aqui no lugar onde queríamos chegar, no centro vital, no drama, na metalinguagem.
2- No coração.
1- Agora esse lugar é o meu coração.
2- O meu coração.
1 - coração.
2 - um coração.
1- O coração de qualquer um.
DEPOIMENTO
Agora esse lugar é o meu coração, aqui me encontro com o que me fragmenta, com o que me envenena. Eu tenho a urgência de um Dark Room vazio que ecoa e evoca a violência do seu silêncio nessas paredes.
Ele foi embora numa tarde de domingo sem sentir, sem tocar, sem olhar, dizendo que não sabia:
- Você não quer mais namorar comigo?
(pausa)
- Responde!
-Não sabe? Não quer? não pode mais?
Naquele dia e depois daquele dia é o teu siêncio que alimenta a minha impaciência, a minha raiva e a minha incompreensão.
É por isso que eu preciso te matar, te matar na ocupação das horas vendidas para o sistema, nas tarde de corrida no parque, na cena, no palco, no teatro.
rasgar tua garganta e deixar jorrar palavras, sanguineas, vermelhas, hemorrágicas.
perfurar teu pulmão e permitir que o som ecoe,
esganar e arrancar esse tijolo da sua boca,
essa parede intransponível que você edificou com o seu silêncio de concreto,
com o seu cuspe de cascalho,
com os seus dentes de ladrilho.
Esse lugar é o esgoto da minha sentimentalidade, o amor aqui é escoado feito bosta fétida pelo chão, o mijo é uma espécie de lágrima apodrecida que escorre pelos encanamentos até desembocar em mim.
Esse lugar é o meu coração, oco, solto, morto no qual o seu corpo flutua anímico, apodrecido e silencioso.
ESSA É UMA MENSAGEM DE CELULAR: "eu não sou mais apaixonado por você"
"lanço-me,
atiro-me,
vomito-me,
venero-me,
nessa cidade desencontros
fracos, inconstantes, entre tantos
viro-me no avesso, do avesso de mim mesmo
não me reconheço
afago-me
afogo-me
cuspo-me
entrego-me
e desapareço
nessa cidade desencontros
fracos, inconstantes, entre tantos
fátuos prazeres, corpos, desejos quereres,
necessidade vira encontro"
PRIMAVERA
22 de setembro encontro transcedente com as foraças primitivas da minha alma. constatação. "EU SOU NATUREZA"
REENCONTRO COM A PAIXÃO.
A paixão chega
me atravessa
a paixão chega
me descompassa
me deixa em festa
a paixão chega
me para
me cura
me testa
tira os meus medos
me deixa em festa
entra
pode entrar
chega devagarinho
pisa de mansinho
destranquei
a porta pra você
entrar
E nessas noites de lua
dentro de mim eu sinto o meu peito pulsar,
o tesão queimar,
eu sinto um jeito macio e gostoso de respirar.
respira
respira
respira
Esse coração que respira, se abre, se destranca, se faz presente na sua pequenês de orgão regenerativo, de símbolo ativo de resistência, um pólo radioativo de mim mesmo.
é esse o coração que te saúda.
é esse o coração que te saúda.
é esse o coração que te saúda.
entra
pode entrar
chega devagarinho
pisa de mansinho
destranquei
a porta pra você
entrar
Não espere,
os ciclos são,
onde você está.
luta,
luto
fruto
pulso
incongruente
demente
presente
naúsea
do fato em mim
sem verões ou outonos
o presente se faz
acontece
explode
em frenesi.
Esse texto é uma obra inclonclusa, ciclica e sem constatação. Fecha aspas.
domingo, 16 de setembro de 2012
...
mente, o passarinho
cantando que bem me viu
num dia tão clarinho
comecinho de estação
da água que chovia, passarinho não diz, não
cantando que bem me viu
num dia tão clarinho
comecinho de estação
da água que chovia, passarinho não diz, não
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Deixa
estão trêmulas, as mãozinhas em prece;
esperam passar - e ficar - o amor...
tão apertadinhas as mãos quanto o coração
ao sentir que outro par os toca e penetra
(sem nada deixar)
com quem estará o anel?
deixa!
há de quebrar...
sábado, 4 de agosto de 2012
Ninguém vai entender isso: esse foi o ano mais feliz da minha vida. A compreensão é mesmo difícil de ser alcançada "Quem não vê bem uma palavra, não pode ver bem uma alma"... e quando não entendemos a palavra que sai de nossa própria boca, distorcida, turva, má? Ninguém vai entender isso. Mas haverá sempre o amor e seus derivados, raiva, medo, culpa, frio. O amor e seus derivados, aconchego, carinho, abraço, um nadinha que faz feliz. Não há compreensão possível, talvez aceitação. Mas amei todos, sem exceção, neste ano mais feliz da minha vida.
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Em São Paulo
final de tarde
garoa cai
a luz se esvai
o peito arde
vontade te ver
mais perto, esquecer
o errado e o certo
ser toda deserto
entregue ao sol
domingo, 6 de novembro de 2011
Procissão
I.
Santos saem dos oratórios,
meninos,
crianças,
senhorinhas,
velas amarelas,
canto entoado na seda da noite quente.
Passos que caminham e murmuram
pelas ruas centenárias do mártir,
do louco,
do homem pleno.
As pedras do caminho
ecoam sons negros,
gritos,
balidos
na noite alta.
Marília,
Barbára,
Gonzaga,
Joaquim,
Silvério,
Cláudio.
Senhoras com seus véus
audazes
- que esquecem os banidos,
ignoram
os parvos,
degradam
a memória
dos sem espíritos -
com suas vozes
vorazes,
velozes,
atrozes
em suas penitências,
em seus pecados,
em suas sandálias
deixam soarem os sinos das igrejas
escandalosos
sobrepondo os ecos
noturnos
das pedras douradas.
II.
De dentro da igreja saem negras
robustas,
senhoras augustas,
sons eloquentes,
Glórias!
Vivas!
Memórias pendentes.
Santos saem dos oratórios,
meninos,
crianças,
senhorinhas,
velas amarelas,
canto entoado na seda da noite quente.
Passos que caminham e murmuram
pelas ruas centenárias do mártir,
do louco,
do homem pleno.
As pedras do caminho
ecoam sons negros,
gritos,
balidos
na noite alta.
Marília,
Barbára,
Gonzaga,
Joaquim,
Silvério,
Cláudio.
Senhoras com seus véus
audazes
- que esquecem os banidos,
ignoram
os parvos,
degradam
a memória
dos sem espíritos -
com suas vozes
vorazes,
velozes,
atrozes
em suas penitências,
em seus pecados,
em suas sandálias
deixam soarem os sinos das igrejas
escandalosos
sobrepondo os ecos
noturnos
das pedras douradas.
II.
De dentro da igreja saem negras
robustas,
senhoras augustas,
sons eloquentes,
Glórias!
Vivas!
Memórias pendentes.
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